Criado em: 08-09-2007 (No carro). - Mary, nunca esquecerei (6º capítulo).
“Você vai se casar com um homem de sorriso perfeito, nem muito rico e nem muito pobre. Na verdade vocês vão conquistar juntos todas as coisas”. Não sei se foi assim que a cartomante falou, afinal, a consulta era da minha mãe e ela apenas tratou de me passar o tal 'recado'.
Eu ainda era muito nova, uns 12/13 anos, mas encarei aquela previsão como uma regra. Qualquer garoto que me interessava, tratava logo de saber como era seu sorriso e se não fosse mesmo perfeito, já o riscava da minha listinha. O negócio era não perder tempo.
Daí um dia eu achava que tinha encontrado o tal do moço-sorriso-perfeito. Mas eu precisava confirmar se era mesmo. Como eu nunca levei a histórias de cartomantes muito a sério (exceto essa previsão dada através de mamãe), resolvi eu mesma procurar uma.
Prometi que não diria nada, apenas faria algumas perguntas, sem dar muitos detalhes. Ela não tinha o poder de prever as coisas? Então ela que adivinhasse. E lá fui eu pra minha primeira (e última) consulta. Já logo de cara a cartomante acertou várias coisas, inclusive coisas que só aconteceriam anos mais tarde. Depois disso, nunca mais quis saber de cartomante.
Era medo. Eu não queria viver em função de previsões. Eu já havia feito isso antes, com o tal sorriso. Tive medo de saber que meus planos pudessem não dar certo ou que talvez demorassem demais para acontecer. Sobre o moço? Fiquei com medo de perguntar e preferi não saber. E não era. Foi melhor assim, sem saber. Evitei sofrer por antecipação.
Logo depois reencontrei o Ricardo. E quando ele me abriu aquele sorriso, acabei lembrando da tal profecia e me peguei sorrindo também. Logo pensei por que não? Não sei se por coincidência, mas Ricardo seria mesmo o tal moço da previsão. Não só pelo sorriso, mas pelas outras coisas também. Só nós sabemos o quão duro estamos dando pra ajeitar nossa humilde residência, comprar nosso apartamento, e finalmente planejar o casamento. Dividimos todas as despesas, mas aos poucos estamos construindo nossa história as nossas custas.
Eu não sei, mas prefiro deixar meu futuro quieto, esperando por mim. Dessa vez eu não preciso de confirmações astrológicas, tenho certeza. Mesmo que essa certeza seja curta ou eterna, é minha, e é meu presente, o que tenho e vivo hoje.
(...)